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🎮🏠 VIDEOGAME NÃO É SÓ COISA DE CRIANÇA: COMO OS JOGOS ESTÃO ENTRANDO NA ROTINA DAS FAMÍLIAS

Pais, mães, filhos e até avós estão descobrindo que jogar pode ser muito mais do que ficar diante de uma tela. Quando escolhido e usado com equilíbrio, o videogame pode aproximar gerações, estimular a interação e criar momentos de diversão dentro de casa.

Durante muito tempo, videogame foi associado principalmente a crianças e adolescentes.

Era comum imaginar o filho sentado sozinho no quarto, com um controle nas mãos, enquanto os pais reclamavam:

“Você só fica nesse videogame!”

Mas essa imagem já não representa completamente a realidade.

Os jogos eletrônicos cresceram, amadureceram junto com quem começou a jogar nos anos 1980, 1990 e 2000 e hoje fazem parte da rotina de milhões de adultos.

A Pesquisa Game Brasil chegou à sua 13ª edição em 2026 e aponta que 75,3% dos brasileiros têm o hábito de consumir jogos digitais.

E talvez o dado mais interessante para as famílias esteja em outra pesquisa: em 2025, os millennials, faixa de aproximadamente 30 a 44 anos, representaram 49,4% da amostra de consumidores de jogos digitais.

Ou seja: muita gente que hoje é pai ou mãe cresceu jogando.

E continua jogando.


👨‍👩‍👧‍👦 O VIDEOGAME ENTROU NA SALA DE ESTAR

A mudança mais interessante talvez não esteja apenas na idade dos jogadores.

Está na maneira como as pessoas jogam.

O videogame deixou de ser necessariamente uma atividade individual e passou a ocupar espaços compartilhados da casa.

Uma televisão na sala.

Dois ou quatro controles.

Um jogo de futebol.

Uma corrida de carros.

Um jogo de dança.

Uma aventura cooperativa.

Um jogo de perguntas.

Um desafio de estratégia.

De repente, aquilo que parecia ser apenas uma tela pode virar uma atividade para toda a família.

Uma pesquisa sobre a relação entre vida familiar e jogos digitais publicada em 2025 encontrou justamente esse potencial: os games podem fortalecer vínculos familiares e criar experiências compartilhadas, embora também existam desafios relacionados à escolha dos jogos, à divisão do tempo e às próprias relações dentro da família.


🎮 E OS ADULTOS?

Eles estão jogando — e muito.

A Pesquisa Game Brasil 2025 mostrou que os adultos são uma parcela central do público consumidor de games.

Entre os millennials, por exemplo, uma parcela expressiva joga no smartphone, enquanto outros preferem consoles e computadores.

E existe outro detalhe curioso:

muita gente joga sem sequer se considerar “gamer”.

Isso acontece porque jogar deixou de depender de um perfil específico.

A pessoa pode jogar 20 minutos no celular durante uma pausa.

Pode jogar futebol com os filhos no console.

Pode jogar uma partida de corrida no fim de semana.

Pode jogar cartas digitais.

Pode entrar em um jogo de estratégia.

Pode jogar eventualmente com amigos.

Não precisa necessariamente acompanhar campeonatos, comprar equipamentos caros ou passar horas todos os dias diante da tela.

O videogame virou uma forma de entretenimento como tantas outras.


👴 ATÉ QUEM TEM MAIS DE 50 ANOS ESTÁ JOGANDO

Outro estereótipo que começa a desaparecer é o de que videogame pertence exclusivamente às gerações mais novas.

Um levantamento do Sebrae Paraná, baseado em dados da Pesquisa Game Brasil e do Newzoo, destaca que 42% das pessoas com mais de 50 anos são ativas no universo dos games.

Isso tem uma explicação simples.

A geração que cresceu com Atari, Mega Drive, Super Nintendo, PlayStation, Nintendo 64 e outros consoles simplesmente envelheceu.

Mas não abandonou necessariamente o hábito.

O menino que jogava nos anos 1980 ou 1990 pode hoje ser pai.

E, em alguns casos, avô.

É aí que surge uma possibilidade interessante:

três gerações jogando juntas.


❤️ QUANDO O JOGO VIRA MOMENTO EM FAMÍLIA

Imagine uma noite de sábado.

Em vez de cada pessoa ficar em um cômodo da casa:

📱 um no celular;

📺 outro assistindo televisão;

💻 outro no computador;

🎧 outro isolado com fones.

A família pode escolher uma atividade para fazer junta.

Pode ser um videogame.

Pode ser um jogo de tabuleiro.

Pode ser cartas.

Pode ser uma competição de perguntas.

O importante não é necessariamente o tipo de jogo.

É a experiência compartilhada.

O jogo cria uma situação em que as pessoas precisam conversar, combinar regras, comemorar, perder, ganhar, provocar umas às outras e, principalmente, estar juntas.


😂 “PAI, VOCÊ NÃO SABE JOGAR!”

Talvez uma das melhores coisas do videogame em família seja justamente a possibilidade de inverter papéis.

Em muitas casas, é o filho que ensina o pai.

A filha ensina a mãe.

O neto ensina o avô.

E aquele adulto que normalmente é responsável por ensinar tudo acaba dizendo:

“Calma aí, como faz esse negócio?”

Isso pode parecer pequeno.

Mas existe uma oportunidade importante nessa inversão.

A criança passa a ocupar temporariamente o papel de especialista.

O adulto precisa ouvir.

Perguntar.

Aprender.

E rir dos próprios erros.

A tecnologia deixa de ser uma barreira e passa a ser uma ponte.


🧠 JOGAR TAMBÉM PODE ESTIMULAR HABILIDADES

Nem todo videogame tem finalidade educativa.

E nem precisa ter.

Diversão também é importante.

Mas diferentes tipos de jogos podem envolver habilidades como raciocínio, tomada de decisão, memória, coordenação motora, planejamento, resolução de problemas e comunicação.

Jogos cooperativos acrescentam outro elemento: os participantes precisam trabalhar juntos para atingir um objetivo.

E isso pode ser particularmente interessante para famílias.

Em vez de:

“Eu contra você.”

pode existir:

“Nós contra o jogo.”

Essa mudança transforma completamente a experiência.


🤝 COMPETIR TAMBÉM PODE SER SAUDÁVEL

Competição não precisa ser necessariamente negativa.

Uma partida de futebol virtual entre pai e filho pode gerar provocações.

Uma corrida pode terminar com alguém comemorando.

Um jogo de perguntas pode revelar quem conhece mais sobre determinado assunto.

E tudo isso pode fazer parte de uma convivência saudável.

O problema aparece quando a competição deixa de ser brincadeira e vira agressividade, humilhação ou conflito.

Por isso, a família também pode usar os jogos para ensinar algo que vale para a vida:

ganhar é bom, mas perder faz parte.


📵 O SEGREDO ESTÁ NO EQUILÍBRIO

Mas existe um ponto fundamental.

Defender o videogame como opção de lazer não significa defender o uso ilimitado de telas.

Uma coisa é jogar juntos durante determinado período.

Outra é passar horas isolado, deixar de dormir, abandonar atividades físicas, comprometer estudos, trabalho ou convivência familiar.

A própria Pesquisa Game Brasil mostra que diferentes gerações possuem hábitos muito diferentes de frequência e plataforma. Entre crianças e adolescentes, por exemplo, uma parcela significativa joga online diariamente.

Por isso, especialmente no caso de crianças e adolescentes, cabe aos adultos acompanhar:

⏰ tempo de uso;

😴 horário de dormir;

📚 estudos;

🏃 atividade física;

👨‍👩‍👧 convivência;

🌳 atividades fora das telas;

🔐 segurança e privacidade;

💰 gastos dentro dos jogos.

O objetivo não deveria ser simplesmente “tirar o videogame”.

Pode ser muito mais interessante ensinar a usar a tecnologia de maneira equilibrada.


🎮 QUAL É O MELHOR JOGO PARA UMA FAMÍLIA?

Não existe um único jogo ideal.

Depende da idade e do perfil da família.

👨‍👩‍👧‍👦 Para pais e filhos

Jogos cooperativos podem ser uma excelente opção.

A família precisa trabalhar junta para avançar.

⚽ Para quem gosta de esporte

Jogos de futebol, corrida e outros esportes podem criar pequenas competições dentro de casa.

🧠 Para quem gosta de raciocínio

Estratégia, quebra-cabeças e jogos de perguntas podem envolver adultos e crianças.

😂 Para quem quer apenas diversão

Jogos simples, rápidos e multiplayer local podem funcionar muito bem.

💃 Para colocar todo mundo em movimento

Jogos de dança e movimento podem transformar a sala em uma pequena pista de dança.

E talvez essa seja uma das categorias mais interessantes para famílias que querem usar o videogame sem transformar o lazer em horas sentado.


🏠 UMA NOVA IDEIA DE LAZER DENTRO DE CASA

Existe uma mudança silenciosa acontecendo.

A casa está deixando de ser apenas o lugar onde as pessoas descansam depois de sair.

Ela também está se transformando em espaço de entretenimento.

Streaming.

Música.

Cozinha.

Academia.

Piscina.

Jogos.

Videogame.

Tabuleiro.

Churrasco.

E, principalmente, convivência.

O videogame pode fazer parte disso.

Não como substituto de conversar, brincar, praticar esporte ou sair de casa.

Mas como mais uma possibilidade de lazer.


👨‍👩‍👦 E SE O VIDEOGAME APROXIMAR MAIS DO QUE AFASTAR?

Essa talvez seja a pergunta mais interessante.

Durante anos, a discussão foi:

“Quanto tempo meu filho passa jogando?”

Talvez uma pergunta complementar possa ser:

“Com quem ele está jogando?”

Porque existe uma enorme diferença entre uma criança isolada durante horas diante de uma tela e uma família que escolhe jogar junta durante uma parte da noite.

No segundo caso, o jogo deixa de ser apenas consumo de conteúdo.

Ele se transforma em experiência.

Pais conhecem melhor os interesses dos filhos.

Filhos descobrem que os pais também gostam de diversão.

Irmãos criam histórias e brincadeiras próprias.

Avós podem participar.

E a tecnologia passa a ocupar um lugar diferente dentro da casa.


🎮 O FUTURO PODE SER CADA VEZ MAIS INTERATIVO

Os jogos também estão mudando rapidamente.

Realidade virtual, inteligência artificial, sensores de movimento, jogos online e experiências cada vez mais imersivas estão ampliando aquilo que entendemos como videogame.

A tendência é que o jogo deixe cada vez mais de ser apenas uma pessoa olhando para uma tela.

Ele poderá envolver movimento, voz, inteligência artificial, interação física e experiências compartilhadas.

Isso abre oportunidades — mas também exige responsabilidade.

Quanto mais envolvente for a tecnologia, mais importante será saber estabelecer limites.


❤️ NO FIM, TALVEZ O MAIS IMPORTANTE NÃO SEJA O JOGO

Pode ser Mario.

Pode ser futebol.

Pode ser corrida.

Pode ser dança.

Pode ser estratégia.

Pode ser um jogo de tabuleiro.

Pode ser cartas.

Pode ser qualquer outra brincadeira.

O que realmente importa é o que acontece depois que alguém pega o controle e chama:

“Vem jogar comigo?”

Porque, em uma época em que cada pessoa pode ficar presa à sua própria tela, talvez uma das coisas mais valiosas que um jogo pode oferecer seja justamente o contrário:

fazer as pessoas olharem para a mesma tela — e, principalmente, umas para as outras.

🎮🏠 VIDEOGAME PODE SER LAZER.

❤️ MAS, EM FAMÍLIA, PODE SER TAMBÉM CONVIVÊNCIA.


📌 PARA O BRASÍLIA NO CORAÇÃO

A Pesquisa Game Brasil 2026 aponta que 75,3% dos brasileiros têm o hábito de consumir jogos digitais. Já a edição de 2025 mostrou que os adultos de 30 a 44 anos formavam a maior faixa geracional da amostra, enquanto estudos sobre famílias apontam potencial dos jogos para fortalecer vínculos e experiências compartilhadas.

A questão, portanto, talvez não seja mais se videogame faz parte da vida das famílias.

Ele já faz.

A discussão agora é como transformar essa tecnologia em uma experiência equilibrada, divertida e, quando possível, compartilhada.

 

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Edson Lopes

Writer & Blogger

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Colunista

Rodrigo Simões é natural de Brasília, gestor público, cientista político e jornalista, registrado sob DRT 0010018/DF.

Possui pós-graduação em Ciências Políticas com ênfase em Serviço Social, e em Políticas Públicas com foco em Cidades Inteligentes.

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